Por que a organização coletiva das mulheres do campo é essencial para a vida

A vida no campo só existe porque o trabalho das mulheres sustenta tudo. Somos nós que plantamos, colhemos, cuidamos da terra, criamos os filhos, preservamos as sementes, garantimos a alimentação da família e mantemos viva a cultura do território. O campo se mantém de pé sobre os ombros das mulheres e, ainda assim, nosso trabalho segue invisibilizado, desvalorizado e tratado como ajuda, quando na verdade é base da economia e da sobrevivência coletiva.

A precarização do trabalho rural atinge as mulheres com mais força. Somos maioria na informalidade, no trabalho não remunerado, na sobrecarga entre produção e cuidado. Somos as primeiras a sentir os impactos da seca, da fome, da ausência de políticas públicas e da crise climática. O sistema nos quer isoladas, fragmentadas e silenciadas.

Por isso, a organização coletiva das mulheres do campo é um ato de resistência.

Quando nos organizamos, rompemos com o isolamento imposto pelo patriarcado e pelo modelo de desenvolvimento que explora a terra e quem nela trabalha. Transformamos dor em luta, necessidade em pauta política, experiência em consciência. Organizamo-nos para exigir trabalho digno, acesso à previdência, políticas de apoio à produção, crédito, assistência técnica e reconhecimento do trabalho produtivo e reprodutivo.

Organizamo-nos para fortalecer a economia solidária, construir autonomia econômica e afirmar que a agroecologia é projeto de vida, não mercadoria. Organizamo-nos para defender a soberania alimentar e dizer que não há justiça climática sem justiça social no campo.

A organização das mulheres camponesas não é apenas uma estratégia: é uma condição para a transformação do território. É espaço de formação política, de cuidado coletivo, de enfrentamento às violências e de construção de poder popular.

Sem mulheres organizadas, o campo adoece.
Sem mulheres organizadas, não há soberania alimentar.
Sem mulheres organizadas, não há transição justa.
Sem mulheres organizadas, não há democracia no território.

Organizar-se é afirmar que as mulheres do campo não são invisíveis, não são secundárias e não aceitarão mais sobreviver sem direitos. Somos sujeitas políticas. Somos trabalhadoras. Somos construtoras de futuro.

E onde houver mulheres do campo organizadas, haverá luta, dignidade e vida.

 
 

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